RESENHA | DOM CASMURRO – MACHADO DE ASSIS

  • ISBN: 9788574803999
  • Autor: Machado de Assis
  • Ano de Lançamento: 2011
  • Número de Páginas: 400
  • Gênero: Literatura Nacional, Classico, Romance
  • Editora: Ateliê Editorial
  • Classificação:

    ★★★★★ + ❤

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  • Sinopse: Em Dom Casmurro, Machado de Assis não pretendeu elaborar uma trama fundada na presumível objetividade dos acontecimentos exteriores. Procurou, ao contrário, construir a intimidade de um viúvo obcecado pela busca de uma certeza sobre o grande amor de sua vida.

    Bentinho, narrador e protagonista, sentiu afeto somente por duas mulheres: a mãe e a esposa. Depois da morte de ambas, quis transferir para a segunda o tipo de convicção que possuía sobre a primeira. No túmulo da mãe, mandou gravar duas palavras: "uma santa". Sobre a esposa, escreveu um livro inteiro para produzir uma imagem estável dela. Não conseguiu. Ele afirma que fora traído, mas sua escrita sugere o contrário. Como a obra conduz ao âmago do discurso irônico, não convém lutar contra a indeterminação. Assim como seria impróprio chamar verde a uma folha esverdeada, não parece adequado reduzir as tonalidades do romance em favor de uma univocidade incompatível com sua estrutura.

Bento Santiago é o narrador dessa história, e à conta após ter vivido e sofrido. Em sua velhice, é conhecido por Dom Casmurro, e para poder reviver sua juventude decide escrever um livro sobre sua vida e seu amor por Capitu.

Casmurro vai nos contar então como se apaixonou por Capitu, a bela jovem de olhos de ressaca, oblíqua e dissimulada (sério, eu não poderia deixar de citar isso aqui ), toda sua relação de amor e sim, ódio por ela ao longo de sua vida, como ele conseguiu vencer diversas oposições a esse amor, se casando e construindo uma vida e acima de tudo, ele vai nos contar como Capitu destruiu sua vida em um triângulo amoroso com seu melhor amigo, Escobar.

Bentinho, com quase 16 anos, descobre estar apaixonado por Capitu. A narração da descoberta do amor é tão linda e tocante, nos deixa com o coração extremamente meloso e aquecido. Aos olhos de um menino inocente, podemos ver (ou rever) a sensação do primeiro amor.

Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair com certeza, pela boca afora.”

Agora vamos aos fatos. Devemos lembrar que Dom Casmurro é o narrador dessa história toda, temos apenas um ponto de vista, e que é incerto e sem definição de caráter próprio, pois tudo é pelos seus olhos, ao contrário de Capitu, que sabemos de sua personalidade de início ao fim do livro, mas também pela perspectiva do narrador questionável.

Fica a nosso critério construir a personalidade de Bento a partir de jeitos e trejeitos dele enquanto narra a história, e é fácil perceber que ele é um homem teimoso, ciumento, facilmente influenciável, amargurado e o mais importante, IRÔNICO e SARCÁSTICO.

O livro é incrível, tem uma construção de personagens excelente, e não é por menos que tenha rendido tantos estudos desde quando foi publicado em 1900. Capitu como a figura da mulher moderna, inteligente, forte e cheia de perspicácia. Bento como o irônico e sarcástico, que foi ”enganado” a vida toda pelo amor de sua vida e Escobar como o homem esperto e cheio de astúcia. E o que o livro tem de melhor é que ele faz você chegar as suas próprias conclusões, você precisa julgar se Capitu é ou não culpada. A história é  REPLETA de dicas para que o leitor decida por si mesmo e em momento algum Machado de Assis afirma alguma coisa para nós.

Estávamos ali com o céu em nós. As mãos, unindo os nervos, faziam das duas criaturas uma só, mas uma só criatura seráfica. Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham…”

Será, o ciúme de Bento Santiago verdadeiro ou apenas ilusão de sua cabeça corrompida e paranóica? Mas não será também que seu ciúme foi sustentado e fundamentado por uma mulher dissimulada, cheia de manhas e artimanhas para esconder seus segredos de um Bentinho ingênuo e emotivo? Será ela a culpada de sua mudança de caráter, tornando-o amargo, ciumento e quase assassino?

Acredito que nunca descobriremos.

Eu, como uma boa Escorpiana, suponho que sim, Capitu traiu Bento Santiago! MAS, CONTUDO E ENTRETANTO nunca teremos essa confirmação, pois a obra é em si ambígua, irônica e sobretudo enigmática.

Os meus ciúmes eram intensos, mas curtos; com pouco derrubaria tudo, mas com o mesmo pouco ou menos reconstruiria o céu, a terra e as estrelas.”

Afinal, para vocês, Capitu traiu ou não traiu Bentinho?

Jé Cerqueira
Criadora do Contudo & Entretanto, sempre navegando em águas misteriosas em busca do Pérola Negra e louca pelo Pequeno Príncipe.
Vai vai, Grifinória!!!

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